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Segurança e Cidadania – Não à violência: é preciso mulherar a política

A Câmara dos Deputados destaca que a violência política de gênero pode ser caracterizada como a prática sistemática de atos de violência com o objetivo de excluir mulheres dos espaços políticos, impedir ou restringir seu acesso e exercício de funções públicas ou, ainda, induzi-las a tomar decisões contrárias à sua vontade. Essas agressões podem assumir diferentes formas, incluindo violência física, psicológica, econômica, simbólica e sexual. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, por sua vez, esclarece que o conceito abrange mulheres eleitas, candidatas, ocupantes de cargos públicos e dirigentes de entidades de representação política, reconhecendo a violência política de gênero como um dos fatores que contribuem para a sub-representação feminina nos espaços de poder.
Apesar das profundas transformações sociais ocorridas no país nas últimas décadas, os elevados índices de violência contra as mulheres ainda persistem. O pensamento estereotipado acerca dos papéis atribuídos a homens e mulheres na sociedade, associado à resistência à ampliação da participação feminina nos espaços públicos, constitui uma realidade enfrentada cotidianamente por milhares de mulheres.
Nas últimas décadas, o Brasil acompanhou a tendência mundial de ampliação da participação feminina na vida econômica, social e institucional, tornando as mulheres protagonistas em diferentes áreas, inclusive na política. Entretanto, o machismo ainda se manifesta por meio de atitudes tradicionalistas e expectativas conservadoras acerca do papel da mulher na sociedade, contribuindo para a naturalização ou minimização de práticas discriminatórias que limitam sua participação plena nos espaços de decisão.
Nesse contexto, os espaços de debate e participação social assumem papel fundamental. O país dispõe de diferentes ambientes nos quais os cidadãos podem discutir os problemas que os afligem, manifestar suas opiniões e construir coletivamente alternativas para o enfrentamento das desigualdades existentes.
Recentemente, foi realizado o 2º Simpósio Nacional pela Paridade de Gênero, com o tema “Violência Política de Gênero”, iniciativa do Fórum Permanente pela Paridade Institucional e Política das Mulheres. Eventos dessa natureza contribuem para ampliar a visibilidade do problema e estimular o debate sobre os obstáculos enfrentados pelas mulheres no exercício de atividades políticas e institucionais.
Também existem, no Brasil, diversas iniciativas voltadas à transformação desse cenário por meio da disseminação de informações e do fortalecimento dos mecanismos de proteção e participação política das mulheres. Em âmbito nacional, destaca-se a Plataforma Vigilante, iniciativa da Legisla Brasil destinada a ampliar a visibilidade e centralizar informações de observatórios, organizações e canais oficiais que atuam no enfrentamento à violência política racial e de gênero durante as eleições de 2026.
No âmbito estadual, a Defensoria Pública, por meio do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres, lançou a Cartilha Mulheres na Política, que reúne informações sobre direitos, regras eleitorais, financiamento de campanhas e mecanismos de enfrentamento à violência política de gênero, constituindo importante material de apoio para mulheres e candidatas nas eleições de 2026.
Evidencia-se, portanto, que o caminho para uma transformação cultural capaz de proporcionar maior respeito às mulheres passa necessariamente pela disseminação de informações, pela educação e pela promoção de debates qualificados. A mudança de valores em uma sociedade é um processo gradual, que frequentemente se intensifica com a renovação das gerações e a formação de novas concepções sobre igualdade, cidadania e participação social.
Embora seja possível reconhecer a importância das novas gerações nesse processo de transformação, não se pode relegar a mudança para o futuro. O enfrentamento à violência contra as mulheres e à violência política de gênero precisa ocorrer no presente, por meio do fortalecimento das instituições, da conscientização da sociedade e da ampliação dos espaços de participação feminina.
Para tanto, é fundamental investir também na educação. Uma sociedade mais informada e educada tende a possuir melhores condições para reconhecer práticas discriminatórias, questionar padrões sociais excludentes e construir relações pautadas pelo respeito e pela igualdade. Assim, “mulherar” a política significa ampliar a presença e a voz das mulheres nos espaços de poder, mas também transformar as estruturas culturais que historicamente dificultaram sua participação plena na vida pública.
A construção de uma sociedade verdadeiramente democrática exige que mulheres e homens tenham igualdade de oportunidades para participar das decisões que definem os rumos coletivos. Combater a violência política de gênero, portanto, não é apenas uma questão relacionada às mulheres: é uma questão de cidadania, democracia e segurança institucional. (Por: Coronel Alírio Villasanti)

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