MPMS participa de simpósio que lança o “Reciclarbono”, iniciativa pioneira para ampliar remuneração de recicladores
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) participou, nesta quarta-feira (25/03), do I Simpósio de Resíduos Sólidos de Mato Grosso do Sul, evento que marcou o lançamento do “Reciclarbono”, o primeiro projeto no Brasil de pagamento de créditos de carbono diretamente para catadores de materiais recicláveis. A iniciativa nasce da necessidade estratégica de reconhecer os serviços ambientais prestados por esses trabalhadores e elevar sua remuneração através do conceito de “carbono evitado”.
Um dos idealizadores da iniciativa é o Coordenador do Núcleo Ambiental do MPMS, o Promotor de Justiça Luciano Loubet. A proposta nasce da necessidade estratégica de reconhecer os serviços ambientais prestados por esses trabalhadores e elevar sua remuneração por meio do conceito de “carbono evitado”.
Em sua palestra durante o simpósio, Luciano Loubet explicou que o projeto é uma junção de forças institucionais que utiliza o Sistema de Logística Reversa (SISREV), outra novidade no país, para quantificar o material que deixa de ir para os aterros e, com certificação internacional, transforma esse esforço em ativos financeiros.
“Para cada tonelada de material que eu reciclo, eu evito a retirada de matéria-prima da natureza. Isso deve ser uma nova fonte de renda para os catadores”, afirma o Promotor de Justiça, enfatizando que o avanço ambiental depende de um tripé formado por regulação estatal efetiva, conscientização e retorno financeiro.
“Não vai ser só na consciência que a gente vai conseguir avançar”, pontuou o Promotor de Justiça. Na visão dele, “quando o meio ambiente dá dinheiro, a gente trabalha e consegue avançar”, defendendo que a sustentabilidade precisa de viabilidade econômica para prosperar.
O evento contou com a participação de especialistas na área, em todas as esferas: iniciativa privada, sistema de justiça e do terceiro setor.
Como convidado especial, participou da abertura o Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, Presidente da COP 15 de Espécies Migratórias, evento internacional que está sendo realizado em Campo Grande até o domingo (29), com representantes de 130 nações.
Capobianco destacou a conexão direta entre a gestão de resíduos e a proteção da biodiversidade. Para o presidente da COP 15, o descarte inadequado é uma das principais causas de morte de espécies como tartarugas, golfinhos e aves. Para ele, iniciativas como a do MPMS são essenciais para tratar o resíduo não como descarte, mas como fonte de recursos e inclusão social.
Inclusão social
“Lixo não é algo para ser jogado fora de qualquer jeito; é fonte de recursos e de geração de emprego”, pontuou Capobianco. Na sequência, acrescentou que o fortalecimento das cooperativas “economiza energia e recursos naturais, ao mesmo tempo em que oferece uma resposta à crise ambiental”. A eficácia do modelo sul-mato-grossense foi evidenciada pelos números apresentados no simpósio: em apenas dois anos, o trabalho de 260 catadores em dez cooperativas evitou a emissão de 20 mil toneladas de carbono na atmosfera.
Como funciona
A metodologia do Reciclarbono envolve um rigoroso processo de sete etapas, que vai desde a coleta de dados via SISREV/MS e o cálculo baseado em diretrizes da Organização das Nações Unidas, até o registro dos créditos na certificadora Carbon Fair e a auditoria de terceira parte. A coordenadora do projeto, a engenheira ambiental Bruna Gonçalves, explicou que o foco é garantir uma “tonelada justa”, complementando a renda de trabalhadores que hoje recebem menos de um salário mínimo.
A catadora Gilda Macedo, Presidente da Atmaras/MS, celebrou a iniciativa como uma conquista de dignidade: “é um valor que vai nos dar mais dignidade, agregar mais valor para o salário de cada catador e vai ter mais viabilidade financeira”.
O I Simpósio de Resíduos Sólidos de Mato Grosso do Sul é organizado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Aplicada em Resíduos e Clima (IBRAPARC), com a colaboração da ASMEA (Associação Sul-Mato-Grossense de Engenheiros Ambientais) e do Instituto Capacita Brasil. (Por: Marta Ferreira de Jesus – Foto: Decom/MPMS)

