Mazé Chotil lança no MS biografia de pintora paulista esquecida
A jornalista e escritora sul-mato-grossense Mazé Torquato Chotil, brasileira que vive e trabalha na França, estará em Mato Grosso do Sul a partir deste final de semana, para o lançamento de sua mais recente obra literária, a biografia “Lucy Citti Ferreira: A pintora esquecida do modernismo”, em que resgata a história dessa artista brasileira, que também viveu na Europa, estudou belas artes e conviveu com modernistas brasileiros como o escritor e poeta Mário de Andrade e o pintor lituano Lasar Segall, que veio para o Brasil no início dos anos 1920. Os lançamentos estão programados para este sábado (27), na Câmara Municipal de Glória de Dourados; segunda-feira (29), na Câmara Municipal de Dourados e na terça-feira (30) e quarta-feira (01/10), em Campo Grande.
Quando esteve na Capital em novembro do ano passado, para o lançamento de outra de suas biografias, Maria D´Aparecida Negroluminosa Luz – Esboço Biográfico, Mazé havia anunciado que estava trabalhando nas pesquisas para a elaboração dessa nova obra, que teve lançamento nacional no sábado passado (20), na Livraria Patuscada, em São Paulo, com uma tarde-noite de autógrafos.
Sobre o novo trabalho, que apresenta aos sul-mato-grossenses ao lado de outras obras, como das biografias de Maria D`Aparecida e José Ibrahim, além do recente “Mares Agitados: Na Periferia dos Anos 1970” e suas histórias do interior e sobre meio ambiente, Mazé explica que Lucy Citti Ferreira nasceu em São Paulo (SP) em 1911 e faleceu em Paris, França, em 2008. Foi uma pintora modernista e também desenhista, gravadora e professora de artes, com marcante história na pintura brasileira nas décadas de 1930 e 1940 “e que, como tantas outras artistas mulheres, acabou esquecida”, afirma a autora.
De acordo com Mazé, esta biografia busca ajudar a “desenterrá-la”. Nascida em São Paulo, Lucy passou a infância em Gênova, na Itália e em Le Havre, na França, onde iniciou seus estudos artísticos na Escola de Belas Artes, continuando-os depois em Paris. Já formada e premiada como pintora, retornou ao Brasil em 1934, nos seus 23 anos, quando conheceu Mário de Andrade, que a colocou em contato com o pintor Lasar Segall — com quem trabalhou, foi musa e viveu uma história marcante. Seu patrimônio pictórico, incluindo seus arquivos, foi doado à APAC – Associação Pinacoteca Arte e Cultura, com o apoio de Marcelo Araújo, amigo da pintora, que, à época, depois de ter dirigido o Museu Lasar Segall, estava à frente da Pinacoteca de São Paulo. Lucy viveu uma história artística relevante, assim como no plano afetivo: teve três homens importantes em sua vida e enfrentou numerosos desafios, tanto no plano pessoal quanto no profissional. Lutou contra dificuldades financeiras e contra as barreiras impostas às mulheres artistas.
Mazé descreve a relação de Lucy com Segall como foi, ao mesmo tempo, fonte de inspiração e obstáculo ao reconhecimento de sua própria obra. “Uma Camille Claudel dos trópicos? De volta a Paris em 1947, trabalhou intensamente, sempre em busca de novos caminhos para sua arte, sem se preocupar com a divulgação de sua obra. Assim, apesar de seus méritos e conquistas, foi esquecida pela história da arte”, destaca a autora.
Na apresentação da obra, a professora doutora da Universidade Federal de Goiás e poeta Valéria Cristina Pereira da Silva escreveu: “Puxando o fio de um novelo misterioso e reunindo um feixe de delicadezas, Mazé Torquato Chotil traz à tona a biografia de Lucy Citti Ferreira, uma artista esquecida do grande público, a pintora esquecida do modernismo brasileiro a quem havia ficado o epíteto de musa de Lasar Segall. O papel dado a Lucy pela história é revisto nesta obra: Lucy Citti Ferreira, a pintora esquecida do modernismo. Chotil nos conduz pelos mistérios da vida de Lucy, apresentando a artista, a mulher e a personalidade forte por trás da discrição, da introspeção e da excentricidade. Esta obra, assim, é um lapidar da matéria da memória e polimento das lembranças através de fontes e documentos, aos quais vai apresentando-nos Lucy Citti Ferreira à medida em que a retira do recôndito, desnovelando fios de segredos carregados de emoção, de amores, de relações, de perdas, de despedidas, de criações. Nas treliças desses fatos e sentimentos, a sociedade da época é o apanágio onde se figuram valores, tabus e preconceitos”.
Mazé Torquato Chotil é jornalista e autora; doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados (MS), morou em Osasco (SP) e foi para a França em 1985. Nos últimos anos, vive entre Paris, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Tem 15 livros publicados, entre romances, biografias e ensaios, dos quais cinco em francês. Entre eles estão: Mares agitados: na periferia dos anos 1970; Na sombra do ipê; No crepúsculo da vida; Lembranças do sítio / Mon enfance dans le Mato Grosso; Lembranças da vila; Nascentes vivas para os povos Guarani, Kaiowá e Terenas; Maria d’Apparecida: negroluminosa voz e Na rota de traficantes de obras de arte. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e foi fundadora e primeira presidente da UEELP – União Europeia de Escritores de Língua Portuguesa. Escreveu — e continua escrevendo — para a imprensa brasileira e sites europeus. Recebeu os prêmios da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB): Prêmio Romance 2025, com o livro Mares Agitados: Na periferia dos anos 1970, e Prêmio Biografia 2022, com Maria d’Apparecida: negroluminosa voz.
Lançamentos no MS
No dia 27/09 (sábado) às 19h na Câmara municipal de Gloria de Dourados; 29/09 (segunda-feira) às15h na Câmara Municipal de Dourados, com homenagem proposta pelo vereador Laudir Munaretto, seguida de apresentação e sessão de autógrafos do livro “Lucy”; no dia 30/09 em Campo Grande às 13h30 na UFMS para falar com os alunos dos cursos de Artes e Literatura, anfiteatro do bloco 8, mediação da professora doutora Simone Abreu e às 19h na UEMS com os alunos dos cursos de Letras/Inglês e de ProfLetras com a mediação da professora doutora Susylene Dias de Araujo e, encerrando sua participação nesta jornada no Estado, dia 1º de outubro (quarta-feira), na Biblioteca da Fundação de Cultura da Capital, na Avenida Afonso Pena.
A Pinacoteca de São Paulo realizará nova exposição de Lucy em janeiro de 2027 Editora Patuá: https://www.editorapatua.com.br/lucy-citti-ferreira-a-pintora-esquecida-do-modernismo biografia-de-maze-torquato-chotil/p. Contatos com a escritora Mazé Torquato Chotil: machotil@yahoo.fr. (Por Elvio Lopes – Fotos: Elvio Lopes)


